sexta-feira, 4 de maio de 2007

DESABAFO

Estava aqui pensando, como seria bom se tudo fosse como imaginamos. Se as pessoas agissem de forma que nunca nos aborrecêssemo, que nunca nos magoássemo, que um simples olhar pudesse ser o caminho para que tudo fosse entendido.
Eu sei que não é assim, e que por mais doloroso que possa parecer, jamais chegará perto de ser. É complicado fazer-se entender. É complicado fazer com que as pessoas percebam que ás vezes um simples toque, um abraço ou um beijo inesperado é capaz de mudar um momento ruim.
Ao mesmo tempo que tento me convencer que é complicado captar tudo isso, eu percebo que para mim é muito simples. Ás vezes temos momentos de pura carência, nos quais acabamos agindo de forma muitas vezes inexplicável, tudo porque o que sentíamos era a falta de um afeto, de um carinho.
Eu sei que nem todo mundo consegue ser sensível a esse tipo de comportamento. Sei também que eu mesma não sou. Mas é tão fácil mudar a direção da conversa. Ir chegando pertinho, com delicadeza e convencer a pessoa a sua frente que você gosta de verdade dela e que você se importa, e que só quer cuidar e fazê-la feliz.
Não há necessidade de se fechar no silêncio e fazer a pessoa a sua frente ficar pensando que não é amada. Sendo que um simples abraço apertado e duas palavrinhas sussurradas ao pé do ouvido, fariam uma grande diferença.
Eu não sou capaz de fazer com que isso seja notado toda hora. As pessoas sentem-se cansadas de ficar a todo momento repetindo ou insinuando sempre a mesma coisa. Chega uma hora que o tempo se esgota e você já não acha força para lutar. Então os pensamentos ruins aparecem, o egoismo e a insegurança se tornam vilões cruciais. E atos que não temos certeza se são corretos acabam sendo cometidos sem qualquer consciência.
Nem sei como terminar isso. Parece que tem duas pessoas escrevendo esse texto. Duas Dayanne's. Uma que quer fazer o bem, amar e ser amada, buscar carinho e dar carinho todo tempo. Mas então surge a outra, a qual é capaz de derrubar tudo, de mostrar os outros pontos, talvez os fracos. Aquela que me convence que não sou eu quem deve sempre ir atrás, que não sou apenas eu que devo amar. Aquela que pensa que tudo deve ser retribuído em partes iguais. Se eu te dou você também tem que me dar.
Mas não sei se é certo. Não sei qual das duas está com a razão e então tudo se torna confuso. E uma confusão acaba chamando outros pontos confusos, que acabam me deixando numa profunda tristeza, que no fim acabo achando que não tem um motivo coerente. E a vida se transforma em uma cadeia de repetições que não cessam nunca.
Por que toda e cada pequena coisinha que eu me apego dá errado? (Janis Joplin - ball and chain)

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